sábado, 17 de julho de 2010

Quase . . .

Ainda pior que a convicção do não,
E a incerteza do talvez.
É a desilusão de um quase.

É o quase que me incomoda, que me entristece

Que me mata trazendo tudo

Que poderia ter sido e não foi.

Quem quase ganhou, ainda joga,

Quem quase passou, ainda estuda,

Quem quase amou, não amou.

Basta pensar nas oportunidades

Que escaparam pelos dedos,

Nas chances que se perdem por medo,

Nas idéias que nunca sairão do papel

Por essa maldita mania de viver no outono.

Pergunto-me, às vezes,

O que nos leva a escolher uma vida morna.

A resposta eu sei de cor,

Está estampada na distância e na frieza dos sorrisos,

Na frouxidão dos abraços,

Na indiferença dos “bom dia”,

Quase que sussurrados.

Sobra covardia e falta coragem

Até para ser feliz.

A paixão queima, o amor

Enlouquece,

O desejo trai.

Talvez esses fossem bons motivos

Para decidir entre a alegria e a dor.

Mas não são.

Se a virtude estivesse mesmo no

Meio-termo,

O mar não teria ondas, os dias

Seriam nublados

E o arco-íris em tons de cinza.

O nada não ilumina, não inspira,

Não aflige, nem acalma,

Apenas amplia o vazio que

Cada um traz dentro de si.

Preferir a derrota prévia à dúvida

Da vitória

É desperdiçar a oportunidade de

Merecer.

Para os erros há perdão

Para os fracassos, chance,

Para os amores impossíveis,

Tempo.

De nada adianta cercar um

Coração vazio

Ou economizar alma.

Um romance cujo fim é

Instantâneo ou indolor

Não é romance.

Não deixe que a saudade sufoque,

Que a rotina acomode,

Que o medo impeça de tentar.

Desconfie do destino e acredite em você

Gaste mais horas realizando que

Sonhando ...

Fazendo, que planejando...

Vivendo, que esperando...

Porque, embora quem quase morre esteja

Vivo,

Quem quase vive, já morreu


Luís Fernando Veríssimo.



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