Eu nasci, e fui me fazendo aos poucos. Ainda na barriga da minha mãe, sentia medo desse mundo desconhecido, e sei que minha mãe também o sentia. Porque mãe, sabe como é, nunca está satisfeita quando se diz respeito aos seus filhos.
Mesmo depois de conhecer o mundo, senti medo. Medo não por ser um ser frágil, mas medo das pessoas. Pessoas de sentimentos instáveis, de atitudes impensáveis, que não têm medo de ferir. Por outro lado, quando conheci esse mundo, percebi também que ele é composto de pessoas boas e dignas. Dignas de um sorriso seu, um conselho, um abraço, uma palavra que agrade os ouvidos. São essas pessoas que denominamos: amigos. E pra quê eles servem? Não sei o de vocês, mas os meus, os verdadeiros, serviram e servem pra me criticar, apontar meus defeitos, meus erros, minhas fraquezas. Se isso é ruim? É claro que é, ninguém gosta de ser criticado, pelo menos eu não gosto. Mas depois de me criticarem, apontarem meus defeitos, eles choram junto comigo e rimos de tudo o que foi dito. É aí que eu vejo que os amigos não são como nossos pais, mas são tão essenciais quanto.
Quando fui á escola pela primeira vez, senti medo novamente. Olha só, eu ia passar o dia todo sem minha mãe, que absurdo. Quem nunca chorou ou gritou no primeiro dia de aula? Pois é, eu chorei muito.
Eu era cheia de mistérios quando criança. Quando chovia, tinha medo de morrer na escola (imagina, morrer estudando? ninguém merece /risos), achava que as nuvens podiam ser pegas com as mãos, que nasceria um pé de dente na minha barriga, se eu não o arrancasse logo, e que meu sangue ficaria azul se eu me riscasse toda com a canetinha (coisa da minha mãe). Achava que o diabo morava embaixo da minha casa, e ficava pulando só pra ver se ele se incomodaria com o meu barulho (vejam só). E Deus? Nossa, Ele era meu maior mistério. Como posso acreditar em algo que não vejo? Mas minha mãe, com toda a sabedoria veio e me disse: “Filha, você não vê o vento, mas sente quando ele toca em você. Assim é Deus, nós não o vemos, mas é preciso que sintamos sua presença.” Pois é, eu não vejo Deus, mas eu sei que é quem me faz abrir os olhos todos os dias. Agradeço, e muito por isso !
Quando amadureci, tive meu primeiro amor. Sempre associei o amor ao sofrimento, e é assim mesmo. O amor é indecifrável, é doloroso, mas mesmo assim nós amamos. Amamos porque o ser humano é capaz de tudo, menos de viver e ser feliz sozinho. O amor nos exige muita coisa: o amadurecimento, a cumplicidade, lealdade, a preocupação com o bem estar do próximo. E deve ser por isso que sofremos tanto. Temos de nos adaptar a maneira do outro, coisa tão difícil para o ser humano que visa sempre o seu bem estar. Tolice!
Contudo, eu amei ! Pela primeira vez. E depois de amar, vieram todas aquelas coisas que as pessoas dizem ser o "crescimento". Estudar, trabalhar, amar, aconselhar, saber dizer não, ser cauteloso, responsável (..) Meu Deus, quero ser criança de novo! O que que a gente ganha sendo adulto? Um pouco de bom senso, quem sabe.
Mas nessa busca incessante e quase que incontrolável por uma explicação do que é viver, eu me encontrei. Me fiz, me desfiz e me refiz. Amei, magoei e me magoei, perdoei, chorei, ri muito, brinquei, falei sério quando foi necessário, e hoje conquistei (quase) tudo que almejava: amigos verdadeiros, um amor eterno e acima de tudo, a fé na vida.
"A única coisa tão inevitavel quanto a morte é a vida."
(Charles Chaplin)
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